247 – A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tornou-se alvo de uma dura ofensiva do Grupo Globo depois de tomar uma decisão que impediu que o debate presidencial previsto para esta quinta-feira (1º) se transformasse num espetáculo de ataques contra um candidato que não estaria presente para responder. Em coluna publicada por Malu Gaspar, O Globo reúne críticas anônimas de ministros e ex-ministros da Justiça Eleitoral para apresentar a decisão como inédita, esdrúxula e censória.
A coluna sustenta que Estela interferiu em regras previamente acertadas entre a emissora e as campanhas ao proibir que a Globo mantivesse no cenário um púlpito vazio identificado com o nome do presidente Lula e permitisse que os demais candidatos dirigissem perguntas ao ausente.
A decisão efetivamente alterou as regras previamente acordadas. A Globo confirmou que a ata previa tanto a permanência do púlpito vazio quanto 30 segundos para que os candidatos presentes formulassem perguntas a quem não comparecesse.
O ponto que a ofensiva contra Estela deixa em segundo plano é justamente o fundamento central de sua decisão: a participação em debates eleitorais é facultativa e, segundo a magistrada, as regras impostas pela emissora poderiam ultrapassar a simples organização jornalística e funcionar como instrumento de pressão sobre quem exercesse o direito de não comparecer.
Perguntar para quem?
A pergunta elementar que precisa ser feita é: qual seria a finalidade jornalística de dirigir perguntas a alguém que não está presente?
Não haveria resposta. Não haveria réplica. Não haveria tréplica. Não haveria confronto de argumentos.
Haveria apenas candidatos diante das câmeras formulando acusações ou provocações a um púlpito vazio, sem qualquer possibilidade de contraditório naquele ambiente.
Transformar isso em grande princípio da liberdade de imprensa é, no mínimo, discutível.
Estela Aranha entendeu que destacar visualmente a ausência de um candidato e identificá-lo nominalmente durante toda a transmissão poderia produzir efeitos que ultrapassariam a mera informação ao eleitor. Sua interpretação pode evidentemente ser contestada juridicamente. Mas tratá-la como uma extravagância sem apresentar com o mesmo peso seus fundamentos empobrece o debate.
A Globo não foi obrigada a cancelar nada
Há outro ponto essencial.
Estela Aranha não cancelou o debate.
Gilmar Mendes não cancelou o debate.
Nenhum tribunal proibiu a Globo de colocar os candidatos diante das câmeras naquela noite.
A Globo decidiu cancelar seu próprio programa.
A decisão de Estela impedia o púlpito vazio e as perguntas ao candidato ausente. A decisão de Gilmar Mendes determinava a inclusão de Renan Santos. Diante dessas determinações, a emissora afirmou que havia ocorrido uma “interferência indevida” em sua liberdade de organizar debates e tirou o programa do ar.
Poderia ter realizado o encontro normalmente, respeitando as determinações judiciais.
Preferiu exibir novela.
fonte: BRASIL 247 -02/10/2026
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