quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Chico Buarque e ganhadores do Nobel denunciam interferência dos EUA nas eleições do Brasil


                                        foto:reprodução



Um manifesto assinado por 30 personalidades internacionais foi divulgado nesta quarta-feira, 30/9, pelo jornal Le Monde, da França. O conteúdo aponta interferência direta dos Estados Unidos nas eleições presidenciais do Brasil com aval de um dos candidatos, Flávio Bolsonaro (PL).

“Essa eleição não decidirá apenas um nome para chefiar o Estado: decidirá se a maior democracia da América Latina continuará sendo uma democracia. Nós, intelectuais, artistas, figuras públicas e cidadãos signatários deste artigo, alertamos a opinião pública internacional: o que está em jogo no Brasil diz respeito a todos nós”, diz um trecho do manifesto.


Chico Buarque e Raí estão entre os signatários

Estão listados entre os signatários Philippe Aghion, vencedor do Prêmio Nobel de Economia; Chico Buarque, cantor brasileiro; Erika Campelo, secretária-geral da associação Autres Brésils; Gabriel Feltran, diretor de pesquisa do CNRS no Centro de Estudos Europeus e de Política Comparada; Ariane Mnouchkine, diretora de teatro; e Raí Souza Vieira de Oliveira, ex-jogador de futebol e campeão do mundo pelo Brasil em 1994.

Entre outros destaques da lista estão Thomas Piketty, economista; Nina Santos, professora e pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital; Joseph E. Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001; e Youlie Yamamoto, porta-voz da Attac França.

“A democracia brasileira é muito importante para o mundo, e sabemos quais são as consequências dos governos de extrema direita. […] Trump ganhou mais poder em seu segundo mandato após conhecer as instituições por dentro. Nossa preocupação é que aconteça a mesma coisa com a família Bolsonaro. […] Transformar o Brasil em uma democracia autoritária será mais fácil depois de entenderem o funcionamento do poder executivo”, comentou Kátia em contato com a reportagem do Amado Mundo.

Manifesto critica pressão exercida pelos EUA

O que distingue esta eleição de todas as anteriores é a magnitude da pressão exercida a partir de Washington, segundo o posicionamento. “O governo de Donald Trump impôs ao Brasil tarifas alfandegárias que podem chegar a 25%, apresentadas explicitamente como uma resposta ao processo contra Jair Bolsonaro. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, revogou os vistos de várias autoridades brasileiras, incluindo o da embaixadora do país, Maria Luiza Ribeiro Viotti”.

“Flávio Bolsonaro, candidato da extrema direita brasileira, por sua vez, viajou a Washington para se encontrar com Donald Trump, Marco Rubio e o vice-presidente americano, J. D. Vance, em 28 de maio. Ele próprio defendeu uma supervisão internacional do pleito. Uma potência estrangeira busca abertamente influenciar o desfecho de uma eleição soberana, com a cumplicidade ativa de um dos candidatos. Esse precedente, se não for veementemente denunciado, não ficará restrito ao Brasil.”


O texto aborda uma sequência de crises vividas no país durante o governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, reforçando que o político está inelegível após ser condenado por participar de uma tentativa de golpe de Estado. “Sua candidatura não é apenas mais uma: representa a continuidade declarada de um projeto cujo histórico em matéria de direitos humanos e ataques à democracia é amplamente documentado e inequívoco”.

“Diante de uma plateia de diplomatas estrangeiros, Flávio Bolsonaro lançou dúvidas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro antes mesmo da realização do pleito, ao mesmo tempo em que afirmou, posteriormente, nunca ter questionado sua integridade. Os próprios editorialistas brasileiros ressaltaram que essa sequência de ações — que permite ao candidato contestar um resultado desfavorável — corresponde ponto a ponto à estratégia empregada por movimentos autoritários em outras partes do mundo.”

Carta rejeita interferência estrangeira nas eleições 2026

A postura de Flávio não pode ser considerada um deslize isolado, conforme o manifesto. “É a preparação metódica de uma disputa judicial eleitoral, independentemente de vitória ou derrota. Ao incutir, de antemão, suspeitas sobre a legitimidade do pleito, essa estratégia prepara os ânimos para a contestação de um eventual resultado desfavorável. Assim, ela fragiliza — antes mesmo que os brasileiros votem — a confiança nas instituições encarregadas de garantir a escolha da população”.

O manifesto convocou mídia, lideranças políticas, instituições europeias e a sociedade civil francesa para acompanhar o pleito realizado no Brasil. “Rejeitamos qualquer interferência estrangeira, venha de onde vier, no processo eleitoral brasileiro; e apoiamos, sem ambiguidades, as instituições, a sociedade civil e os movimentos sociais brasileiros em sua luta pela democracia e pelos direitos humanos”.

O tema também ganha força entre políticos dos Estados Unidos. Nesta terça-feira, 29/9, um trio de senadores democratas alertou o governo liderado por Donald Trump contra possíveis interferências antes da realização das eleições presidenciais no Brasil. O primeiro turno ocorre no próximo domingo, 4/10.


Fonte: Weslley Neto/ AMADO.MUNDO-01/10/2026

0 comentários:

Postar um comentário