ACM Neto, candidato ao governo da Bahia nas eleições deste ano pelo União Brasil, era líder de uma organização criminosa que operou um esquema fraudulento dentro da prefeitura de Belo Horizonte, que teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão, em crimes de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.
Uma parte desse montante teria sido transportada em dinheiro vivo, em malas que foram levadas dentro de jatinhos em voos fretados. É o que aponta o relatório da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação OverClean, ao qual o Núcleo Investigativo do ICL Notícias teve acesso. Nesta quarta-feira (30), a CNN Brasil noticiou que o político baiano liderava um esquema de desvio de verbas públicas em Minas Gerais.
O relatório da PF afirma textualmente que ACM Neto “exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”.
Procurado por meio de sua assessoria, ACM Neto primeiramente não respondeu aos questionamentos da reportagem. Depois da publicação da matéria ele enviou nota qualificando as informações como “inverdades” que ele desmente de forma categórica. Veja a íntegra da nota abaixo.
O Rei do Lixo
Ainda de acordo com a PF, Marcos Moura, empresário baiano conhecido como o Rei do Lixo, teria sido o intermediário das negociações com o então prefeito de BH, Fuad Noman (PSD), morto em março do ano passado.
Logo depois dessa conversa, a PF identificou uma ligação de sete minutos entre Marcos Moura e ACM Neto. O Rei do Lixo retoma a conversa com Fuad Noman e faz uma contraproposta: “pode ser as duas mais educação e abrindo mão do governo?”
Fuad Noman cita um acordo com o PT, mas se mostra disposto a rever as tratativas. Marcos Moura responde: “O senhor quer permanecer com o Bruno, né?”. E o ex-prefeito se mostra totalmente à disposição para atender o grupo: “Sim. Vocês querem mudar?”.
O relatório aponta que o Bruno mencionado é Bruno Barral, ex-secretário de educação de BH. Ele foi indicado ao cargo em março de 2024 e permaneceu no posto após a reeleição de Fuad Noman.
Barral era assessorado por Flávia Bittencourt. De acordo com a PF, ela “desempenhou importante papel na organização criminosa ao coordenar a montagem de processos das contratações fraudulentas”. Em mensagens extraídas do celular dela, há um momento em que ela admite a um interlocutor que sua indicação havia sido aprovada por ACM Neto.
Licitação direcionada na educação
Depois de ter aparelhado a secretaria de educação de BH, o grupo criminoso teria atuado para favorecer empresas, mediante fraude em licitação e pagamentos superfaturados. Uma destas empresas é a Brasil Sustentável, que atua no mercado editorial brasileiro, produzindo livros paradidáticos.
Malas de dinheiro em jatinho
A viagem aconteceu no dia 19 de novembro de 2024, após embarque no hangar da empresa VOAR. Ouvido pela PF, o piloto da aeronave informou se lembrar “cinco ou seis malas” sendo transportadas para dentro do avião naquele dia.
Há menção também a um homem identificado como Gabriel Mascarenhas, que também teria atuado transportando dinheiro vivo em grandes quantidades em aeronaves particulares.
Mesmo após a deflagração da 1ª e 2ª fases da Operação Overclean, a PF identificou que Mascarenhas continuou transportando grande quantidade de dinheiro em espécie.
Posicionamento de ACM Neto
“NOTA DE ESCLARECIMENTO
Estou profundamente indignado e estarrecido com a quantidade de inverdades, a meu respeito, contidas na reportagem “ACM Neto liderou esquema…”, veiculada neste site, supostamente baseada em relatório da Polícia Federal. Desminto de forma categórica tudo ali noticiado e desafio o ICL e suas fontes a apresentarem as provas.
Não surpreende que tal matéria – articulada com outras notas apócrifas veiculadas pela rede de desinformação e difamação montada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) – seja veiculada na véspera da eleição para governador da Bahia, onde desponto nas pesquisas como franco favorito.
Já determinei a meus advogados que tomem as devidas providências contra os autores e disseminadores deste amontoado de fake News que visa interferir, de forma criminosa e antidemocrática, no andamento das eleições.
Envidarei todos os esforços legais para punir duramente os idealizadores, autores e divulgadores destes ataques insidiosos contra a minha honra.




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